“Criança — A alma do negócio”, de Estela Renner


O documentário “Criança — A alma do negócio”, dirigido por Estela Renner e produzido pela Maria Farinha Filmes, promove a reflexão sobre publicidade infantil no século XXI e seus impactos. Surgido após o envolvimento da diretora com o Projeto Criança e Consumo, criado pelo Instituto Alana, apresenta filósofos, promotores de justiça, professores e pais com pertinentes comentários a respeito da influência da mídia no consumo durante a infância.

Criança — A alma do negócio” apresenta dados importantes sobre a publicidade infantil: são necessários, por exemplo, apenas 30 segundos para que uma criança influencie-se por uma propaganda e, a partir disso, passe a desejar o produto anunciado. As propagandas em questão dispõem de elementos atrativos para os pequenos, como efeitos fantasiosos produzidos por computação gráfica.

Clóvis de Barros Filho, um dos autores de “A vida que vale a pena ser vivida” e participante do documentário, afirma que a publicidade infantil tem o intuito de prometer à criança “a alegria da existência na sociedade”. Surge, assim, um conflito de valores logo na mais tenra infância: o “ter” torna-se prioritário, deixando o “ser” de lado.

A perda do lúdico na infância contemporânea também é ressaltada no filme: questiona-se às crianças se preferem brincar ou comprar e, por unanimidade, elas optam pelo consumo — uma passagem preocupante, já que a brincadeira é uma atividade social da criança, responsável por seu desenvolvimento intelectual, motor e social. É necessário que a criança brinque para crescer (PIAGET, 1990).

O documentário, embora volte-se à publicidade infantil, é indicado a todos, uma vez que externa as consequências da sociedade de consumo. Trata-se de uma importante ferramenta conscientizadora sobre o consumismo, levando cada telespectador a refletir sobre aquilo que é realmente prioritário ao ser humano.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1990.